quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Orientações para elaboração dos procedimentos metodológicos no planejamento das aulas no núcleo do PST.

Os procedimentos metodológicos são elementos essenciais para desenvolvimento das aulas e dos objetivos propostos. Devemos indicar com clareza como pretendemos desenvolver as atividades no núcleo e ter em mente que as estratégias devem maximizar o aprendizado e tornar o momento das aulas agradável para os alunos.
Não esqueçamos que as diretrizes do PST indicam que o processo de ensino aprendizagem da iniciação esportiva começa com o jogo – “jogar para aprender”. Isso indica que devemos reduzir ou eliminar exercícios analíticos que colocam os alunos em fila e restringem a experimentação motora dos alunos (tempo de prática).

Os procedimentos metodológicos devem:

a) Tornar as atividades desenvolvidas em aulas mais prazerosas, as técnicas e táticas de uma determinada modalidade podem existir, mas o prazer não pode ser suplantado pela determinação e imposição de regras e normas rígidas.
b) Propor aulas participativas, envolventes, em que os alunos podem e devem opinar em seu desenvolvimento.
c) Promover atividades menos cansativas, livres de rotinas entediantes e que tornam a aula pouco atraente e desmotivante.
d) Diversificar-se e alterar-se em função das características das atividades, das necessidades e dos interesses dos alunos.
e) Favorecer a apropriação dos conhecimentos e dos valores que a vivência de cada conteúdo oferece.
f) Dentre outras

Apresentamos na sequência exemplos de procedimentos metodológicos diferenciados para o ensino de modalidades esportivas.

1) EXPOSIÇÃO DO PROFESSOR

a) Verbal: explicar o que se deseja que as crianças façam, quantas pessoas jogam de cada vez, como devem se posicionar, dentre outras informações.
b) Demonstração: executar o que fora explicado anteriormente, tornando claro “como” se faz.
c) Ilustração: ilustrar a partir de imagens, desenhos de posicionamentos em quadra, apresentações de vídeos de jogos.
d) Exemplificação: juntar as explicações verbais com ações específicas da atividade, ou seja, colocar em prática aquilo se explicou verbal ou ilustradamente.

2) MÉTODO DE TRABALHO INDEPENDENTE

a) Preparatória: discute-se com os alunos o que cada um sabe da modalidade em questão, quais são as suas experiências, se já jogaram, como jogaram e onde jogaram.
b) Assimilação de conteúdo: experimentam-se e vivenciam-se os elementos que foram apresentados e discutidos com os alunos de forma prática e direta, de maneira a aprofundar ainda mais o conhecimento necessário.
c) Elaboração pessoal: os alunos, a partir de suas experiências, agregadas aos conhecimentos experimentados e vivenciados de maneira aprofundada, passam a elaborar, criar, de forma consciente, dentro de suas limitações e potencialidades, respostas às situações apresentada.

3) TRABALHO EM GRUPO

a) Reunir e dividir os alunos em grupos para que dialoguem, discutam, reflitam, preparem, organizem e reorganizem atividades de pesquisa sobre a modalidade, dividindo, assim, responsabilidades, ou, ainda, que todos vivenciem movimentos característicos da prática, com vistas a reconhecer e respeitar as diferenças existentes entre eles ou mesmo vivenciar diferentes papéis na atividade, permitindo que um se coloque no lugar do outro.
b) A ideia é estimular a capacidade organizativa e administrativa dos alunos, possibilitando ao professor observar de forma mais detalhada a maneira como cada aluno se relaciona e resolve situações que surgem no cotidiano das aula

4) ELABORAÇÃO CONJUNTA

a) Parte da identificação das necessidades e dos interesses dos alunos. Imaginemos que eles reconheceram que a maior necessidade, num primeiro momento, é que precisam “colocar” a bola em jogo, para que haja o jogo. Para tanto, o professor discute com os alunos quais as formas mais simples de realizar essa tarefa, quais as exigências motoras básicas, ou seja, os alunos poderão identificar que “sacar por baixo”, inicialmente, facilitará o início da atividade e, após esse reconhecimento, e aprofundamento da capacidade de jogar, poderão dedicar-se ao aprendizado do “saque por cima”. A premissa dessa estratégia é uma relação de diálogo constante com os alunos, estimulando o pensamento.

5) ATIVIDADES ESPECIAIS

De acordo com as necessidades apresentadas pelo grupo, definem-se novas possibilidades de apresentação e desenvolvimento de modalidades. É importante discutir o Esporte para “além do fazer”. Assim, é possível:
- mostrar aos alunos o poder da mídia, o quanto ela é capaz de interferir na compreensão da sociedade sobre um mesmo jogo de voleibol
- utilizar diferentes formas de observar uma mesma partida (televisão com e sem áudio, acesso à internet durante e após a realização da partida, manchetes de jornais do dia posterior ao jogo).
Os alunos precisam perceber a importância de verem o jogo com os próprios olhos, sem se deixarem levar por interpretações e influências de narradores e/ou jornalistas esportivos. Apenas quando perceberem o poder que a mídia tem na elaboração de opinião das pessoas, os alunos serão capazes de elaborar uma opinião própria a partir de seu senso crítico reflexivo.


Referências bibliográficas:

OLIVEIRA, Amauri Aparecido Bássoli de, PERIM, Gianna Lepre. (org.) Fundamentos pedagógicos do   Programa Segundo Tempo: da reflexão à prática. Maringá: Eduem, 2009.

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